Às vezes choro sozinha! Me sinto mal com isso, mas quase sempre prefiro chorar só do que perceber olhares recriminatórios ou ouvir críticas que nem sempre são necessárias no momento em que tudo que mais preciso é apenas ser ouvida e, talvez, abraçada.
Hojo foi um desses dias em que chorei sozinha. Acabei me entristecendo mais por ter chorado num ônibus indo para o trabalho do que pelo o que se passava em minha cabeça.
Pensei em ligar para minha amiga Lílian, mas já imaginava mais ou menos o que ela diria, então preferi não ligar para ninguém. Depois pensei em ligar para meu amigo psicólogo, mas lembrei que, mesmo com o bendito código de ética, é quase impossível para ele conversar comigo sem analisar alguma coisa de forma clínica e técnica. Fora que ele falaria:"__ Larga essa porra e vai curtir a vida!' Ou não, na atual fase dele talvez recitasse um trecho de um livro qualquer ou metesse no meio da minha sofreguidão, um tema político a la Che!
Pensei em ligar para outra amiga e pedir que me encontrasse no centro da cidade para beber alguma coisa e poder falar tudo o que está agarrado aqui dentro dessa cabeça que às vezes nem é tão inteligente assim. Mas ela falaria algo do tipo: "__ Gi, vc tem que ter paciência. Olha pra mim, as coisas estão dão certo e eu encontrei meu caminho!" Aí em seguida, me interromperia para falar outra coisa ou dar outro conselho, no final das contas eu não falaria quase nada do que preciso.
Pensei depois em ligar pro meu amigo do Rio e gastar uma fortuna com telefone, mas ele não saberia me ouvir muito bem, fora que atrapalharia as 'refeições' dele. Homem complicado que no momento só quer saber de pegar 'carne nova'.
Procurei na minha agenda mental e todas as pessoas que lembrei que eu poderia conversar tinham alguma coisa que me impediriam de falar tudo o que sinto que precisa ser falado.
Com toda a busca feita na caixola, percebi qua amo muiiiiito meus melhores amigos e meus amigos, mas não consigo conversar totalmente com nenhum deles. Sempre fazem algo que acabam me chateando mais ou que simplesmente me fazem calar.
Percebi que quase sempre prefiro me calar e que, por mais mal que isso possa me fazer, é melhor conversar comigo mesma. Comigo não preciso abrir a boca, não preciso ouvir coisas desnecessárias e todas as críticas acabam sendo mais duras do que a crítica de qualquer outra pessoa, mas são feitas nos momentos certos.
Hoje em dia só existe uma pessoa no mundo com quem consigo me abrir completamente. Mas ela reune quase todos os 'problemas' citados acima. Me ouve bem, mas critica no momento errado. Me abraça e às vezes até consegue ficar quietinho apenas sentindo minha respiração ou choro, mas acaba ficando quieto quando eu mais preciso ouvir algo, às vezes não deixa que eu conclua uma idéia e isso me entristece.
Refletindo muito bem sobre tudo que coloquei aqui, percebi que sou exatamente como essa pessoa. Trago em mim todos os 'defeitos' que podem minar a vontade de alguém de apenas conversar.
Em meio ao choro no ônibus, às lembranças de algumas pessoas queridas, à saudade de alguém especial, percebi também que eu não nasci para ter longos e saudáveis relacionamentos. Em todos eles ou me submeto ou submeto alguem aos caprichos e ordens. Ou manipulo ou sou manipulada. Se deixo livre reclamam de falta de atenção, se estou muito perto, reclamam que pergunto demais, fico em cima, acabo sufocando. Nunca fui uma pessoa de meios termos ou meias palavras. E acho que não sei ser 'meio' Giselle com ninguém. Tento fazer o certo para uns, mas para outros o certo tem outra cara, outro jeito.
Com isso, mais uma vez me fecho!
Fico numa busca incessante de como criar a Giselle certa para cada uma das ocasiões e vejo que nunca dá certo. Sou assim e, creio, morrerei assim!
Estou na espera de algo maior e mais profundo. Não fico parada esperando que isso caia do céu, mas parece que tudo o que faço é errado ou se volta contra mim como de fosse uma apunhalada lenta e que rasga a carne mais quando o punhal sai do que quando entra. Minhas reflexões são assim, punhais prontos para me perfurarem onde mais dói.
Talvez eu tenha passado toda uma vida procurando a coisa errada, as pessoas erradas. Ou talvez tenha encontrado tudo certo no momento errado e, com isso, tenha julgado que era errado por não estar no meomento certo.
Só sei que tem dias em que tudo parece perfeito e tem dias em que tudo parece fora do lugar, inclusive eu...
Nesse exato momento, não sei mais quem quero, se eu ou se aquela pessoa especial, ou ainda se um amigo por perto. Talvez queira apenas dormir um pouco e acordar de forma diferente. Talvez mais magra um pouco, talvez mais adulta, talvez fechar os olhos e perceber que tudo que pensei estava errado e que eu só precisava passar um pouco de água no rosto, lavar os olhos, dar umas piscadelas, esfregar um pouquinho e enxergar direito como as coisas são.
Será que a tão famosa busca da felicidade requer sofrimento e solidão? Será que estou no caminho certo? Será que estou com a pessoa certa, os amigos certos?
Nessas horas percebo como chorar sozinha é bom. Me faz pensar, conversar comigo, analisar as coisas e as pessoas por outros ângulos e, às vezes, até mesmo chegar numa conclusão clara e direta.
Mas creio que não seja hoje um desses dias em que Deus ilumina nossa cabeça e mostra as coisas como elas são exatamente.
Talvez eu esteja mesmo só cansada e precise tirar férias de mim.
Com tudo que pensei e com as conclusões que cheguei, decidi que TENTAREI não mais ser assim, EU. Tentarei ser uma Giselle diferenciada, talvez mais fechada ainda e talvez dê um tempo em tudo que tem me esgotado, mesmo que o que esteja me esgotando seja aquilo que hoje me dê mais felicidade.
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